Pensando bem, eu aceito que minha vidinha simples e medíocre está cada vez mais desenxabida, o oposto de tempos atrás. E que no meu quarto minúsculo e amontoado de tralhas, que me suga mais a cada dia, encontrei uma teia de aranha que não tive coragem de destruir, porque já não aguentava mais dormir sozinha, se até meu cachorro prefere dormir com minha mãe.
Aceito que as minhas unhas sempre pintadas de vermelho, só me provam o que eu não consigo mudar, renovar, e que irei sempre bater na mesma tecla e quebrar a cara pelos mesmos motivos e nas mesma situações. E o gelo em que minhas mãos se transformam quando cai a noite, é o mesmo gelo que envolve meu coração toda vez que minha incapacidade sentimental vem a toda.
Aceito que eu invento uma coragem que não tenho, para esconder minha mesquinhez e o meu medo de encarar o mundo que tanto anseio. E que toda essa minha ânsia em me jogar no mundo, no fundo só pode significar a fuga daquilo tudo que me atormenta.
Aceito que eu não tenha percebido, ou tenha, o quanto minha falsa e inexorável independência emocional machucou e continua a ferir pessoas que não merecem, e a mim também. E se graças ao meu egoísmo individualista hoje sofre quem tudo fez por mim, aceito esse castigo e o que mais vier.
O Paulistano e a Paixão pela Cidade
1 mês atrás




