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Juliana Cunha
Mineira, mas mora em São Paulo, e tem verdadeira paixão pelo charme e a diversidade paulistana. É contemporânea, mas com um toque de nostalgia de uma época em que não viveu. Estudante de jornalismo,ama música, literatura, cinema, teatro, boteco e cerveja. Escreve quando tem vontade e também quando precisa. Acredita no amor, mas como um sentimento livre, uma doação, um bem estar, não como posse, sofrimento e amargura. O comum é algo que não atrai. Um desejo na vida? Viver um dia de cada vez.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

E o que mais vier

Pensando bem, eu aceito que minha vidinha simples e medíocre está cada vez mais desenxabida, o oposto de tempos atrás. E que no meu quarto minúsculo e amontoado de tralhas, que me suga mais a cada dia, encontrei uma teia de aranha que não tive coragem de destruir, porque já não aguentava mais dormir sozinha, se até meu cachorro prefere dormir com minha mãe.
Aceito que as minhas unhas sempre pintadas de vermelho, só me provam o que eu não consigo mudar, renovar, e que irei sempre bater na mesma tecla e quebrar a cara pelos mesmos motivos e nas mesma situações. E o gelo em que minhas mãos se transformam quando cai a noite, é o mesmo gelo que envolve meu coração toda vez que minha incapacidade sentimental vem a toda.
Aceito que eu invento uma coragem que não tenho, para esconder minha mesquinhez e o meu medo de encarar o mundo que tanto anseio. E que toda essa minha ânsia em me jogar no mundo, no fundo só pode significar a fuga daquilo tudo que me atormenta.
Aceito que eu não tenha percebido, ou tenha, o quanto minha falsa e inexorável independência emocional machucou e continua a ferir pessoas que não merecem, e a mim também. E se graças ao meu egoísmo individualista hoje sofre quem tudo fez por mim, aceito esse castigo e o que mais vier.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Virtualmente falando

Quem me conhece sabe que eu sou um tanto leiga no que diz respeito a tecnologias e ainda estou me situando com as novidades digitais. Me lembro de ter ficado surpresa quando vi um pen-drive pela primeira vez, e creia, isso foi só quando entrei na faculdade. Eu ainda usava cd-room, e morri de vergonha. Embora viciada em internet, às vezes ela parece que fala grego comigo. Pra mim sempre foi o básico do básico – usando email, orkut, msn, e algumas navegações. E derrepente eu estava alienada e fora de órbita.
Twitter pra cá, Facebook pra lá, era só o que eu ouvia, sem entender que diabos eram estes programas, nem qual a utilidade. E mesmo depois de conhecer, não via sentido algum. Isso é mesmo a febre mundial? Até que: “Eu me rendo”, meio que sob pressão e movida por certa curiosidade entrei. Continuo a boiar um pouco, mas me tornei usuária quase febril, agora estou na fissura por um celular com tecnologia Wi-Fi, por que será?
Eu pasmo toda vez que penso no quanto o mundo se tornou virtual no decorrer da última década, e que há 10 anos atrás eu não tinha computador, email, msn, celular, câmera digital, e claro, não posso deixar de citar o pen-drive. A internet mudou a vida de muita gente. Há quem namora através desta ferramenta. Eu mesma já vivenciei um namoro de três anos que teve início no mundo virtual.
Recentemente, me apaixonei por uma camiseta da Farm (grife carioca), que vi no site da loja. Eu trabalho a poucos minutos do Shopping Iguatemi, era fácil eu dar um pulinho lá, provar a peça, verificar se veste bem, se era tão bonita quanto na foto e se o preço valia a pena. Mas preferi efetuar a compra pela net, pagar oito reais no frete, e receber o produto ali pertinho mesmo, no trabalho. Absurdo? Cômodo? Achei também. Eu morro de preguiça de ir ao Shopping, não tenho o menor saco, até quando quero ir ao cinema eu prefiro os de rua, mas nunca imaginei que chegaria a tal ponto.
Fiquei pensando se essa evolução toda é boa ou ruim, se não estou me tornando uma preguiçosa, misantropa, usando um escudo virtual, para talvez, disfarçar a incapacidade de me relacionar. Será que é isso que ocorre com o mundo? Se a Internet facilitou a nossa vida, ela também prejudicou, tornando-se o invólucro da solidão de muitos. Ainda assim, não consigo abrir mão.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Eu na metamorfose do mundo


Em meio à metamorfose deste mundo contemporâneo, procuro por uma razão que perdi em algum lugar. Não que eu sinta a falta dela, mas disseram que é importante. É quase uma missão impossível já que ela se fragmentou quando a joguei para o ar. Com ela joguei todas as regras, obrigações, piedades, certezas, e qualquer forma de sentimento que viesse a me sufocar. Troquei tudo por devaneios incertos, por momentos de catarse, e também por alguns momentos egoístas em que sou eu, e eu mesma.
Agora sou eu, na companhia de loucuras elucidativas, vivendo num mundo paralelo inebriante. Talvez do lado errado do paraíso. Mas aqui sou eu, num momento em que tenho um encontro comigo, num momento em que me basto, num momento em que talvez isso seja tudo o que eu preciso. E quanto ao amor? Ah o amor..... Acredito no amor, mas no amor que transcende, no amor que me ensina, no amor livre, que faz voar. No amor que brilha, no amor sublime. Não no que me sufoca , me dói, me aperta, e me implora. Enquanto espero, continuo aqui, procurando a razão na metamorfose do mundo paralelo e inebriante do lado avesso do paraíso. É esse momento que me ilumina, inspira e orienta.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Só sei que nada sei!

Tudo na vida é movimento, e em meio a este movimento, estamos sempre nos aperfeiçoando. Suscetíveis a cognição. E as vezes em uma situação simples e fugaz, tiramos grandes lições. A vida fala conosco o tempo todo.
Numa terça feira qualquer, uma noite de inverno em que o frio resolveu dar uma trégua. Volto pra casa depois de mais um dia de trabalho. No meio do caminho minha amiga Su, me liga sugerindo um happy hour. Embora não houvesse pensado beber neste dia, concordei que a noite estava propícia, além disso, eu dificilmente recuso convite de amigos, ainda mais se tratando de um bar, meu programa preferido, é sempre um prazer imensurável.
Ainda que o espaço escolhido fosse próximo a minha casa, havia pessoas na mesa as quais eu sequer conhecia. Entre elas Marcos, que quando cheguei me abordou comentando sobre o livro que eu trazia na mão, o que logo criou simpatia entre nós. Ele deve ter aproximadamente 30 anos. Entre uma cerveja e outra, uma musiquinha ao vivo, o papo na mesa fluía de forma agradável, todos gostavam dos mesmos assuntos, o que não causava divergência, apenas troca de informações.
Falávamos de política, educação, música, filmes, filosofia, literatura entre outros. Marcos sempre se destacava, seu repertório cultural, é de dar inveja a qualquer um, inclusive eu. Além de ter um estimável conhecimento sobre Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Manoel Bandeira, Clarice Lispéctor, Platão, Sócrates, Descartes, Dostoievsky, Karl Marx, Jostein Gaarder, citou outras obras e autores que eu sequer já tinha ouvido falar, me deixando cada vez mais interessada em continuar aquele momento prosaíco.
Marcos ainda é envolvido em projetos voltados para o meio ambiente, outro detalhe que aumentou minha admiração. Na medida em que ele dialogava, eu imaginava qual seria sua profissão, talvez tivesse cursado letras, história, filosofia, sociologia, jornalismo ou qualquer outro curso de humanas. Até que perguntei, e como resposta, tive: “Sou carreteiro, transporto mudanças, pelo Brasil à fora, e terminei agora o 2° grau.” Fiquei ainda mais atônita! Ele aprendeu tudo sozinho, sem incentivo dos pais, ou escola, apenas com a sua vontade. Minha admiração, que já existia, aumentou de forma imensurável, reforçando a teoria de que o conhecimento é infinito, e está ai para todos, todos que o queira. Ninguém nunca sabe demais.
Diante da aula que tive, foi impossível não lembrar de Sócrates: “ Só sei que nada sei.”

domingo, 19 de julho de 2009

Voltei

Mais de dois meses sem postar, aqui estou eu, “de volta”. Estava numa rotina exaustiva entre trabalho, faculdade, e outras cozitas más.... Não me sobrou tempo ou forças mentais para dar uma passadinha no blog. Ainda que sentisse saudades. E agora de férias confesso que estava tentando esquecer um pouco de tudo, mas me deu vontade de estar aqui. Voltei! E é pra ficar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nostalgia é moda



Se tem um assunto, o qual eu gosto muito e até hoje não foi postado aqui no blog é MODA. E por que não fazê-lo? Afinal moda é um bom assunto para uma sala de estar.

Nostalgia é moda


Não é de hoje a idéia de que tudo se recicla, e isso cabe principalmente ao mundo do vestuário, que gira e resgata trajes que marcaram épocas. Sucesso absoluto nos anos 70, a calça boca de sino está de volta, para invadir a moda contemporânea, e dar um chega para lá no modelo skiny.
A idéia não é somente relançar o modelo, e sim a elegância de quem o vestia. Trazer de volta a essência e o charme da era marcada pelas famosas discotecas, num estilo “As Panteras”.
O modelo que foi relançado na Europa no final de 2007, já chegou às nossas vitrines, porém ainda se encontra tímido quanto à aceitação das brasileiras, que se viciaram na caça skiny, aquele modelo justo até a canela, que é uma forma antagônica da boca de sino. A skiny que também demorou para emplacar quando surgiu nas vitrines, se mantém no ranking de vendas há mais de 5 anos.
Lá fora beldades como Fergie, Madona, Drew Berrymore, e Victória Beckham já desfilam com a sua . Aqui no brasil, nas grandes metrópoles, em especial São Paulo, já se vê o modelo a circular por ai. É uma tendência que chega aos poucos no guarda roupa brasileiro. Não sei se essa moda vai pegar mesmo, mas eu acho uma calça muito estilosa, dá para usar com salto ou até mesmo com allstar, só não fica legal com sandália anabela. Tem tudo a ver com Sampa City, aliás retrô-nostálgico é comigo mesma. Eu já comprei a minha.

sábado, 2 de maio de 2009

Dupla delícia



Para quem não sabe sou uma mineira-paulista. Nascida em Belo Horizonte e moradora de São Paulo há 13 anos. Sou extremamente sortuda e privilegiada por ter em minha bagagem duas cidades tão maravilhosas. É uma dupla delícia. Belo Horizonte (vou poupar elogios por que o nome já diz tudo), me deixou grandes recordações, onde eu vivi minhas maiores travessuras de moleca, me lembro como se fosse hoje, das brincadeiras de queimada na rua, das arriscadas descidas de patins ou carrinho de rolemã, do meus pés descalços pelo asfalto mineiro que fervia nos seus 34°, e da pressa em correr para dentro de casa quando escutávamos o barulho do caminhão do papai encostando. Se ele pegasse suas crias (somos em quatro irmãos) na rua, era coça na certa. Foi lá que descobri a importância de amigos, e a falta que eles fariam eu descobriria logo mais....
A vida é uma caixinha de surpresa e o destino trouxe minha família para as terras paulistanas, a dor de deixar amigos e toda a história de uma infância tão travessa, foi demais para uma garotinha de 10 anos. Era uma crueldade ter que aprender tão cedo e na marra o que era um aperto de saudade. E ainda trocar todo calor e os pés descalços pelo frio, cachecol e botas. Só fui entender que era preciso fazer a troca, quando a terra da garoa me rendeu uma pneumonia braba e 14 injeções de penicilina, sendo duas diárias. Foi uma fase de difícil adaptação, o frio era de cortar, o trânsito caótico, e eu só pensava em um dia voltar para BH.
Eu fui crescendo, tão logo já era uma adolescente, uma sensação nova aflorava em mim, o desejo em desvendar essa selva de pedras. Conforme os anos passavam, eu ia descobrindo novos endereços, novos pontos turísticos, novas baladas, e a noite paulistana me mostrou a diversidade quase infinita que essa cidade tem. Sem dúvida a capital paulista tem os melhores programas do país. Tão charmosa, tão atraente, tão múltipla, tão cultural, tão ambígua. Não realizei o meu desejo, São Paulo tem mistérios para a vida toda, 13 anos não me fizeram esgotar todas as formas de contemplação, e nem uma vida inteira me fará descobrir tudo o que ela tem a me oferecer. Eu ainda amo a capital mineira e toda sua exuberância, mas não foi a toa que me apaixonei pela formosa selva de pedras...